Experiências de Rosenhan

Um sítio sobre experiências mais ou menos vividas, música, cinema, livros, artigos, actualidade, (in)disciplinas e afins. Sobre tudo que pode ser quase nada, ou sobre nada que pode ser quase tudo. Sem hora marcada. Encontros sem sentido até serem explicados.

27 abril 2006

Pragmatismos ou nem por isso

Foi de relance que ouvi a declaração do primeiro-ministro. Penso que percebi bem o que ele quis dizer. Interpelado por um deputado (não sei quem), defendeu que não aumentaria os impostos às empresas que tiveram lucros assinaláveis. A sustentar esta atitude / não atitude está a seguinte premissa - estas empresas posteriormente diminuiriam os salários dos trabalhadores para poderem manterem os mesmos lucros.
Ouvi isto e pareceu-me curto. Onde está a justiça social disto?
Um país também é feito de medidas que não trazem dinheiro mas o tornam mais honesto. A integridade tem os seus custos.
Será que o primeiro-ministro pensou bem?
Se pensou bem, melhor o não fez.
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25 abril 2006

It's a God

Ontem lembrei-me que se calhar Deus andava por aí de mansinho, a ver como estão as coisas. Como está o mundo desde a última vez. Como se rezam agora as missas e assim. É que estava a ouvir música lembrei-me...que..................................................................(silêncio).
José González - Veneer; The Knife; Jenny Lewis with The Watson Twins - Rabbit Fur Coat; Dayna Kurtz - Another Black Feather; Postal Service - Give Up; Clap Your Hands Say Yeah - Clap Your Hands Say Yeah.
nota de rodapé: curioso ping-pong que aqui se jogou com o tema Heartbeats (versão de José González vs versão dos Knife), estava a ouvir uma versão e dava por mim a querer ouvir a outra, e assim sucessivamente, a coisa perdurou...e a saciação não chegou.
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24 abril 2006

Sarilhos linguísticos

A certa altura de um debate com Karl-Otto Apel, Derrida afirmou:
-A comunicação é impossível.
Apel respondeu: -Concordo.
Derrida não deixou por menos: -Então eu expressei-me mal.
fonte: Wikipedia a 24 de Abril de 2006
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Energia nuclear made in pORTUGAL # 2

E eu sem uma ideia acerca do assunto (mesmo que pré-concebida), muito menos um posicionamento.
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23 abril 2006

Energia nuclear made in pORTUGAL # 1

Dos dois lados das trincheiras vão-se posicionando os soldados, vagarosamente, ávidos de digladiar argumentos.

p.s: obridado a O Último Metro pelas correcções ao poste anterior relativas a Imogen Heap (e não os Imogen Heap).
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20 abril 2006

Apropriações

Depois de escutar isto: Pessoal e Transmissível - TSF (Emissão de 20 de Abril de 2006)
isto:

Há questão de 2 ou 3 dias, deparei-me pela primeira vez com Imogen Heap - Speak for yourself. Na altura, se muita coisa me agradou na sua música, outra tanta me desagradou (que é a mesma coisa que dizer: gostei com reservas). Mas o que me desagradou concretamente, ficou a pairar à espera de explicação (do que gostei adivinho menos pertinente explicar e/ou citar). Até que hoje (com a ajuda dos outros) uma explicação me satisfez: na música de Imogen Heap muita coisa ficou por omitir.
Numa música (falo agora em abstracto, não da citada) há coisas que não precisam de estar lá, que precisamos que lá não estejam. Necessitamos que nos dêem a quase certeza, mas não a certeza, o efectivo. Precisamos de abrir e adivinhar possibilidades para instantes musicais. Gostamos de encontar familiaridades e singularidades, não que nos apontem esta, esta e aquela.
Digam-nos apenas onde poderá estar o ouro, que o gozo maior para nós está no garimpar.
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Para nós que andamos distraídos

Ainda a propósito de Broken Wings: se não fossem os nossos defeitos estas seriam o tipo de pessoas (personagens do filme) que simultaneamente mais amaríamos e admiraríamos. Será que vamos conseguir?
A ouvir a música do filme repetidamente.
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16 abril 2006

Maria Cheia de Graça - versão hard

Acabo de ouvir na TSF que no Brasil o transporte de droga agora faz-se através de implantes no corpo (seios, etc.) - modernidades deste nosso mundo moderno. Os "correios" são geralmente mulheres bonitas (por razões dos traficantes) e da classe média (por razões das mulheres).
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15 abril 2006

Desconstruções

...andamos a desconfiar, com alguma insistência, das ideias originais...De onde vêm?... Quem as faz? De que material são feitas?... Quem faz as rupturas? E em que circunstâncias?
E os gostos?... Quem os tem?... Onde moram?...Quem os faz?
Disseram-nos para desconfiar dos sentimentos que querem ser maior do que nós e nos oprimem.
....andamos a desconfiar com alguma insistência do conhecimento... Onde conhecemos? Onde nos conhecemos? Sozinhos? Sem interlocutores? Sem espelhos? Sem refracções?
Em verdade, já algum tempo que desconfiamos de tudo isto (desde quando ao certo não sabemos), dizê-lo aqui é portanto mais uma oportunidade para cimentarmos as nossas desconfianças, uma oportunidade de preencher o espaço um pouco vazio que vai daquilo que negamos ao que exactamente acreditamos.
Abrimos a possibilidade (exercício meramente teórico e hipotético - que entretanto aprendemos) de virmos no futuro a acreditar naquilo que agora desconfiamos, mas cremos e queremos o lugar onde estamos neste momento.
A ouvir: Pedro Esteves e o seu Lado B (emissões de: 15 ; 8 de Abril e 2 de Abril de 2006) que a partir de hoje, se me é permitido, passa a ser um lado um bocado meu também. Música bonita vinda do novo éter, música para travar conhecimento e/ou revisitar.
Destaque: Os Climber - ou muito me engano ou vou ter mais uma companhia para o futuro. Não sei porquê (atribuição/subterfúgio de quem não é expert na matéria) mas faz lembrar-me...não me lembro,... Kings of Convenience?!...Radiohead?!...Sigur Ros?! Bem, não interessa, para todos os efeitos tem nome próprio e chamam-se Climber.
Favores em cadeia: Hoje se o meu dia tivesse nome de filme chamar-se-ia assim, se fosse um livro, seria talvez Pela Mão de Alice. "A minha Alice" hoje foi O Último Metro que como cicerone, para além da música, me fez o favor que eu descobrisse isto: "percebo entretanto que é verdade que crescemos, quando abrimos velhos livros e sublinharíamos outros versos", e posteriormente todo um blogue (para não errar não faço ainda nenhuma adjetivação, pois espero lá voltar muitas vezes) . Obrigado Último Metro, obrigado Little Black Spot.
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14 abril 2006

Reaprender I

Inicio hoje com este poste, uma rubrica que pretendo dar alguma continuidade e que resolvi chamar de Reaprender. Pretendo com ela combater alguns ditames da linguagem.

Reaprender I: Ter um sítio (blogue) na Internete é dar azo ao meu sentido de autoria - em vez de - ter um sítio (blogue) na Internete é um exercício de egocentrismo.

A ouvir Ulisses de Cristina Branco.
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13 abril 2006

Páscoa verde ou o fim da quaresma

Não vem mal nenhum ao mundo se anteciparmos por uns dias o fim da Quaresma e iniciarmos a época da festividade. O homem chama-se Adam Green e a sua música é bem engraçada (letra incluida - com as devidas ressalvas, pois o meu inglês, eufemisticamente falando, não é excelente). Aki tem tem - (espaço de publicidade) e ali também. Em todo o caso, se a ortodoxia o exigir a alguns, podem penitenciar-me.
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11 abril 2006

O Canadá mais do que tira

Do Canadá, nos últimos tempos, temos assistido a uma constante chegada de novidades, encabeçada pelos Arcade Fire, imigrantes portugueses, Broken Social Scene, imigrantes portugueses, Wolf Parade, imigrantes portugueses, New Pornographers, etc.. O filão parece quase inesgotável. No entanto, o meu destaque vai inteirinho para um senhor que assina por Destroyer. Entrem pois na Merge Records, que é uma editora que merece o nosso respeito e carinho, não só pela qualidade que apresenta, mas também por terem colocado alguma dessa qualidade acessível aos nossos ouvidos. Aproveitem que a coisa não se fica por Destroyer, mas se ficasse mesmo assim já seria de louvar.
Estou a gostar disto!
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10 abril 2006

Ladies Night

A ouvir: Cat Power - The Greatest Destaques: 01. The Greatest e
Fiona Apple : Extraordinary Machine - Destaque para a música 03. Oh Saillor
Ainda não vai muito tempo desde que fiquei a conhecer estas duas senhoras, já não me lembra ao certo quem me fez notar nelas, se foi o Indigente ou o Coyote (ambos programas da Antena 3), ou o João Bonifácio numa das suas apreciaçoes semanais, sempre conhecedoras e corrosivas, no Suplemento Y do Público. Sei que desde então, tem sido uma constante torrente de informação a entrar-me pelos olhos e/ou ouvidos sobre estas duas senhoras. Da primeira fixei que se chama Chan Marshall e que lança discos com a mesma prontidão que um Lars Riedel ou um Virgilijus Alekna mas que muitas vezes esses arremessos são fracos ou nulos. Da segunda constou-me que o último álbum, este, já tinha saído dois anos antes de sair.
Relativamente às duas músicas que destaquei, elas são responsáveis, respectivamente, por ainda não ter dado a atenção necessária ao resto do álbum. São duas músicas fantásticas!
Se a senhora Chan Marshall oscila, como dizem, entre o muito maú e o muito bom (algumas músicas que ouvi dela são meio sonsas (sem sal), tenho que concordar), quando no futuro nos depararmos com algo sofrível da sua autoria, saberemos que isso não é mais que prenúncio do devir de um novo amor. Desculpem o jeito condescendente, mas músicas destas obrigam-me a sê-lo.
Voltarei um dia mais tarde para falar de Cat Power, Fiona Apple, Aimee Mann e etc. Em etc., incluem-se vozes femininas com grão (nada de confusões: não tenciono introduzir uma secção de culinária no blogue), isto é, vozes que sabemos que chegaram de longe para nos contarem /cantarem estórias matizadas de muitos sentimentos e experiêcias mais ou menos pessoais e transmissíveis.
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09 abril 2006

O gosto da paternidade

Os Domingos começam tarde mas começam bem: Picaresque dos Decemberists. Destaques: Música 3. Eli, The Barrow Boy.
A Chuva começou a cair lá fora, resgatando do chão o cheiro da terra. É bom o cheiro da terra.
A ouvir: Laura Veirs - Carbon Glacier. Musicas em destaque: 1. Ether Sings; 2. Icebound Stream; 3. Rapture; 7. Shadow Blues e 9. Snow Camping.

Ontem, o Sporting perdeu com o Porto e entregou de bandeja o título ao supracitado. Este ano ninguém era merecedor do título, mas cá para nós, que nunca fomos com o FCP, havia alguns clubes (quais?) que mereciam menos que outros.
O Benfica, como todos sabemos há já algum tempo, não vai ganhar nada. Mas, fez uma muito boa época. Esperemos sinceramente que a direcção do SLB não faça o mesmo que a direcção do SCP na época transacta e deite o bebé fora junto com a água do banho.


A ouvir: David Fonseca - Our Hearts Will Beat As One

Primeiras suspeitas (conclusão ao fim de um dia): Isto da paternidade pode-se transformar em vício! -Quem disse que não éramos pró-activos nas experiências?

A ouvir: Emiliana Torrini - Fisherman's Woman

Apetece-me falar de dois filmes que experimentei mais recentemente (se bem me lembro): Match Point de Woody Allen e Broken Wings de Nir Bergman. Do primeiro não guardei muitas palavras porque esperava mais, do segundo também ficou pouco para dizer, apenas que o vou ver novamente e depois, se calhar outra vez (e eu que nem sou muito de repetir doses). Sigam as trilhas e não deixem de ouvir o theme song.

E porque a vida é feita de coincidências e a semana que se avizinha também o vai ser, e está cada vez mais perto, deixo-vos com esta fita (é um pouco longa mas parece-me interessante), voltarei para dar sentido a tudo o que surgir para mim, que estiver por tecer e seja necessário fazer coincidir.

|| Experiência, domingo, abril 09, 2006 || link

08 abril 2006

O primeiro balbucio

Olá, bem-vindo (a) a este projecto que nem projecto pretende ser, apenas um arranque…
Nada melhor que começar com música: álbum The Opiates dos Anywhen - destaques para as músicas - 3. Scars And Glasses e 4. Where's The High. Para quem não conhece recomenda-se vivamente.
Este foi um álbum que descobri em 2003 e me acompanha desde então. No princípio e durante mais de um ano, talvez, ouvi-o vezes sem conta. Já não sei muito bem a que soube. Como as paixões passadas, sei que foi importante e irrepetível. Foi um amigo, uma casa, um espaço de conforto.
|| Experiência, sábado, abril 08, 2006 || link || (1) comments |