Experiências de Rosenhan

Um sítio sobre experiências mais ou menos vividas, música, cinema, livros, artigos, actualidade, (in)disciplinas e afins. Sobre tudo que pode ser quase nada, ou sobre nada que pode ser quase tudo. Sem hora marcada. Encontros sem sentido até serem explicados.

28 agosto 2006

-Que percebes tu de pintura? -O mesmo que tu queres perceber do caso Mateus.

Dois amigos brasileiros encontram-se na única praia que existe, a de Copacabana. Um vem da única favela que existe, a do Morro, o outro do analista que obviamente não existe.
Diz o da favela: - Então Manuel sempre foste ao analista? Que achaste dele?
-Hum!..Perguntei-lhe o que achava do Freud e ele disse-me que tinha sido um grande pintor.
-Mas então não é o do sexo? Exclamou o outro que também se chamava Manuel.
-Foi exactamente o que eu lhe disse e ele disse “relativamente a isso, esse foi mais arrojado”.
-Então e depois?
-Depois tive que fazer uns desenhos, mais ou menos isso.
-…Então mas o gaijo é pintor?
-Pintor! Então não te disse que era analista.
- Mas está sempre a falar de pintura!
-Não está nada, eu é que falei a maior parte do tempo.
-E falaste de quê?
-Das coisas com a Verinha e de não conseguir ultimamente…tu sabes.
-Hum! …. e o que é que ele disse.
-Oh pá, sei lá! diz o que vem do analista já bastante agastado, e acrescenta com a última réstia de indulgência: -Que não era o único; e que estava a pintar as coisas muito negras.
-Lá isso é verdade. Anui o da favela com alguma sobranceria.
- Oh pá… que percebes tu de pin……?! Inquire o que vem do analista iniciando a frase totalmente irritado e diminuindo de tonalidade à medida de que se vai apercebendo do que está a dizer, terminando-a com um desanimado “deixa lá!”
Faz-se um silêncio suficiente para que Manuel se aperceba do que o que vem do analista está a querer dizer e riposta com alguma animosidade:
-De quê? De Sexo? Nota-se.
|| Experiência, segunda-feira, agosto 28, 2006

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